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Chip de pneu rejeitado na cimenteira: por que isso acontece e como evitar
Lote rejeitado na pesagem de entrada da cimenteira significa frete de ida e volta sem receita. A causa quase sempre é granulometria fora do especificado. Um componente do triturador resolve — e a maioria das operações não tem.
28 toneladas de chip de pneu saem de Campinas às cinco da manhã, e na portaria da cimenteira o lote é rejeitado por fragmentos de 120 mm quando o contrato especifica máximo de 50 mm. Essa situação, que custa entre R$ 8 a 20 mil em frete perdido por viagem além da receita não realizada, é mais frequente do que deveria e quase sempre tem a mesma origem: ausência de grelha calibrada no triturador ou desgaste não monitorado. Neste artigo, vamos analisar por que a cimenteira exige granulometria máxima, qual componente do triturador controla essa dimensão, e como uma rotina simples de medição elimina rejeições na prática.
Por que a cimenteira especifica granulometria máxima
A cimenteira não compra chip de pneu por conveniência ambiental. Ela opera sob licença de operação emitida pelo órgão ambiental estadual, que especifica exatamente quais resíduos podem entrar no forno e em quais condições. A dimensão máxima do chip é uma dessas condições. Ela consta no contrato de fornecimento, na licença e nos registros de fiscalização.
A razão técnica é o sistema de alimentação do forno. O chip entra por correias transportadoras e dosadores que foram dimensionados para uma faixa granulométrica específica. Chip acima do tamanho máximo causa três problemas: trava nos dosadores, queima incompleta dentro do forno (gerando emissões fora do permitido) e arames longos que enrolam nas correias e param a linha de produção. Uma parada de forno em cimenteira custa dezenas de milhares de reais por hora. A cimenteira não vai aceitar esse risco.
A especificação típica para coprocessamento de chip de pneu no Brasil é de 50 mm máximo, com teor de aço residual abaixo de 5% e umidade inferior a 3%. Esses parâmetros variam entre plantas, mas a faixa é essa.
O componente que controla a granulometria
O componente se chama grelha: uma chapa de aço perfurada posicionada abaixo dos rotores do triturador, presente nos trituradores de 4 eixos Série Q e no D57 para pneus.
O princípio é simples. Nenhum fragmento sai da câmara de corte antes de passar pelos furos. A dimensão máxima do chip é definida pela abertura da grelha.
Com grelha calibrada para 50 mm, o material circula na câmara até ser reduzido o suficiente para passar. Pneu de passeio, pneu de carga, pneu OTR. O tipo de pneu muda o tempo de processamento, mas não muda o tamanho do chip na saída. O resultado é consistente lote a lote.
Sem grelha, o triturador produz o que a geometria das facas e a alimentação permitem. A faixa granulométrica fica ampla e imprevisível: fragmentos de 30 mm misturados com pedaços de 120 mm no mesmo lote. Arames longos passam inteiros. O lote pode passar na inspeção de um dia e ser rejeitado no seguinte, dependendo de como o material se distribuiu na caçamba.
A maioria das rejeições na portaria da cimenteira tem essa origem. Não é o pneu. Não é o operador. É a ausência de grelha ou grelha com abertura errada.
O desgaste que ninguém monitora
Grelhas são peças de desgaste. O atrito constante do material contra as bordas dos furos amplia a abertura progressivamente. Uma grelha calibrada para 50 mm pode estar passando 55 mm depois de 800 horas de operação e 60 mm depois de 1.200 horas, dependendo do material processado e da composição da chapa.
O problema é que esse desgaste é gradual. Os lotes continuam passando na inspeção da cimenteira até o dia em que não passam mais. A operação só descobre quando recebe a rejeição, e nesse ponto o desgaste já acumulou por semanas ou meses.
Duas verificações resolvem isso. Primeira: o triturador tem grelha instalada? Se não tem, não existe controle de granulometria. O chip sai no tamanho que sai. Segunda: quando foi a última medição dos furos da grelha? Furos com desgaste acima da tolerância entregam chip fora de especificação mesmo com o operador fazendo tudo certo.
A prática recomendada é medir a abertura dos furos a cada 400 horas de operação e substituir a grelha quando o desgaste ultrapassar 10% da dimensão nominal. Para uma grelha de 50 mm, o limite de troca é quando os furos atingem 55 mm. Peças de reposição e reafiação de facas fazem parte do programa de manutenção preventiva.
Como evitar rejeição na prática
O controle de qualidade na operação de trituração de pneus depende de três pontos: grelha com abertura correta para a especificação do comprador, programa de medição periódica do desgaste e amostragem do chip antes do carregamento com medição de granulometria máxima. Para operações que também produzem CDR para coprocessamento, o controle granulométrico segue a mesma lógica.
Se a operação já sofreu rejeição, o diagnóstico começa por esses três pontos.
A Jaguar Industrial faz essa análise sem custo e indica o caminho mais rápido para adequar a saída do triturador à especificação da cimenteira.
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Chip de pneu rejeitado na cimenteira quase nunca é problema de matéria-prima. É problema de processo. Grelha correta, medição periódica e amostragem antes do embarque eliminam rejeições. A engenharia é simples. O que falta na maioria das operações é aplicar.
