· Jaguar Industrial · Cases · 5 min read
Projeto de triturador para CDR: 2.000 h em menos de 4 meses
Veja como a Jaguar integrou pré-triagem, Q5300 e separação magnética em uma linha de CDR que superou 2.000 horas em menos de quatro meses.

Numa planta de tratamento de resíduos no ABC Paulista, que recebe mais de 1.000 toneladas de resíduos por dia, um triturador Q5300 concluiu o comissionamento e superou 2.000 horas de operação em menos de quatro meses. O equipamento processa resíduo sólido urbano (RSU) dentro de uma linha de produção de combustível derivado de resíduos (CDR), aplicação em que composição do material, granulometria de saída e controle de contaminantes definem se o produto final atende ao uso industrial pretendido.
Esse resultado operacional não é fruto de um equipamento isolado. É o desfecho de decisões tomadas ainda na engenharia do projeto, quando a linha foi dimensionada a partir do resíduo que precisava processar — e não do catálogo de máquinas disponíveis.
O projeto começa no resíduo, não no catálogo
Antes de especificar qualquer triturador, uma linha de CDR precisa responder a perguntas sobre o material de entrada: qual a composição do resíduo, qual a fração de contaminantes, qual o teor de umidade, qual a faixa de tamanho que chega à alimentação e qual regime de operação a planta pratica. Essas respostas — não um número de capacidade isolado — determinam a configuração da linha.
Neste projeto, a resposta incluiu uma etapa de pré-triagem antes da trituração. Retirar volumosos, materiais fora de especificação e frações que não interessam ao processo de CDR reduz a variabilidade do que chega ao triturador e protege o equipamento de itens que não deveriam estar na alimentação. Essa etapa foi resolvida com uma estação de triagem integrada ao fluxo, e não como um filtro manual à parte.
Fluxo integrado: da alimentação à separação magnética
A linha segue uma sequência funcional: caracterização do resíduo, pré-triagem, alimentação controlada, redução de tamanho no triturador e separação magnética da fração ferrosa.
O núcleo mecânico da redução é um triturador da Série Q, modelo Q5300, dimensionado para operar em regime industrial sobre resíduo heterogêneo, sem a granulometria uniforme de um insumo padronizado. Depois da trituração, um extrator de ferrosos remove metais ferrosos do material processado — etapa que protege equipamentos a jusante e evita que a contaminação metálica reduza a qualidade do CDR gerado.
Cada etapa cumpre uma função específica: a pré-triagem controla o que entra, o triturador controla o tamanho de saída, e a separação magnética controla a pureza do material que segue no fluxo. Nenhuma etapa substitui a outra.
A decisão de engenharia: da grelha de 100 mm para 76 mm
Um dos ajustes registrados durante o desenvolvimento do projeto foi a revisão da grelha do triturador, de abertura nominal de 100 mm para 76 mm.
A grelha estabelece a geometria das passagens pelas quais o material deixa a câmara de corte. Reduzir sua abertura nominal de 100 mm para 76 mm torna o critério de classificação granulométrica mais rígido: o material permanece no processo de corte até que os fragmentos consigam atravessar as aberturas menores. O risco controlado é o de partículas superdimensionadas seguirem para as etapas posteriores, fora da faixa definida para o CDR.
O efeito esperado é estreitar a distribuição granulométrica e reduzir a probabilidade de sobretamanho — não garantir que toda partícula tenha, no máximo, 76 mm. Forma, orientação, composição e umidade do resíduo também influenciam a passagem pela grelha. A mudança precisou ser refletida no desenho revisado e nas peças fabricadas para a nova especificação.
Integração elétrica, automação e comissionamento
Um triturador industrial não opera sozinho. Neste projeto, a integração envolveu o elevador de alimentação, o painel elétrico, os inversores de frequência, os motores, os redutores, o resistor de frenagem e o próprio separador magnético — cada componente com uma função de controle específica dentro da automação da linha.
O elevador foi testado inicialmente em modo manual, validando o acionamento mecânico antes de avançar para a operação automática. Para essa transição, sensores previstos no projeto elétrico foram instalados, permitindo que o elevador operasse dentro da lógica de automação da linha, sem depender de comando manual contínuo. O painel elétrico e a especificação dos inversores foram revisados e ajustados ao padrão de projeto adotado para a integração.
Esse conjunto de testes e ajustes permitiu concluir o comissionamento: as interfaces elétricas e mecânicas foram verificadas antes de a linha entrar no regime industrial que, hoje, já soma mais de 2.000 horas em menos de quatro meses.
Critérios para especificar uma linha de CDR
Projetos como este seguem um conjunto comum de critérios de especificação, independentemente do porte da planta:
- composição do resíduo e presença de contaminantes;
- teor de umidade do material de entrada;
- dimensão de entrada e distribuição de tamanho do resíduo bruto;
- capacidade e regime de operação pretendidos (contínuo ou por turnos);
- granulometria de saída exigida para o CDR;
- destino do CDR produzido e requisitos da aplicação industrial que vai consumi-lo;
- interfaces elétricas, mecânicas e de automação com o restante da planta.
Quando a alimentação envolve volumes grandes ou materiais enfardados, a linha de pré-redução pode incluir equipamentos da linha PR4000/PR5000 como etapa alternativa anterior à trituração — configuração que não foi necessária neste projeto, mas que integra o portfólio de soluções para volumes de alimentação distintos.
O Q5300 em operação
O vídeo abaixo mostra o Q5300 processando RSU dentro da linha de produção de CDR.
O Q5300 processando resíduo sólido urbano para produção de CDR.
O que este projeto demonstra
Mais de 2.000 horas de operação em menos de quatro meses evidenciam o resultado do conjunto, não apenas do triturador: caracterização do resíduo, pré-triagem, separação magnética, ajuste da grelha e integração elétrica e de automação antes da entrada em operação.
Se sua operação processa resíduo para produção de CDR e precisa dimensionar ou revisar uma linha com esse nível de controle, fale com a engenharia da Jaguar Industrial para uma análise técnica da sua aplicação.

